Sabe em que fatores você deve se ligar para evitar a lombalgia?- Parte 2

No artigo anterior foram apresentados possíveis fatores causadores da lombalgia, que você biker deve se atentar. Não contente com somente 3 fatores, o SMTB vai te apresentar mais três fatores e, a partir disto, você vai conseguir acabar com esse problema em sua vida que está longe de ser só “pedalar em pé ou sentado”.

4- Fortalecimento do CORE na prevenção de lombalgia

O programa de treinamento de estabilização central é criado para ajudar o indivíduo a obter ganhos de força, controle neuromuscular, potência e resistência muscular, com o objetivo de facilitar o funcionamento muscular equilibrado de toda a cadeia cinética.

A função do CORE é estabilizar a coluna e a pélvis durante os movimentos, manter um adequado alinhamento da coluna contra a ação da gravidade, localizar o nosso centro de gravidade, criar movimentos eficientes da cadeia cinética, propiciar uma base de suporte para os movimentos dos membros (origem do movimento), gerar força para os movimentos do tronco e prevenir lesões.

No treinamento do CORE, os músculos devem ser suficientemente fortes para estabilizar, mas também devem ser recrutados de forma apropriada. Tradicionalmente, o treinamento do CORE tem se caracterizado por treinar os grandes músculos globais.

Negligenciar os músculos locais pode deixá-los “potencialmente” enfraquecidos e, assim, afetar a estabilidade da coluna. Os benefícios do treinamento do CORE são: assegurar um apropriado equilíbrio muscular, propiciar a estabilidade, aumentar a força postural dinâmica e assegurar o funcionamento apropriado da cadeia cinética por inteiro.

Todos esses benefícios podem ser sumarizados em um único termo: eficiência neuromuscular.

5- Discrepância de membros inferiores

A discrepância de comprimento dos membros inferiores, estrutural ou funcional, é outro fator que influencia na lombalgia, apesar de nem sempre os atletas saberem do real quadro.

A discrepância estrutural deve-se à ocorrência de membros inferiores com diferentes comprimentos, enquanto a discrepância de origem funcional resulta de uma adaptação funcional, como pronação do arco plantar longitudinal, ou mesmo desequilíbrio na produção de força aplicada no pedal.

O uso de calço para correção da discrepância de comprimento ultrapassou a indicação para a população em geral e passou a ser realidade nos esportes, como corrida e ciclismo.

O ciclista com discrepância de comprimento dos membros inferiores apresenta uma inclinação pélvica em relação ao membro mais curto. Esta diferença pode levar à formação de uma escoliose lombar compensatória de convexidade direcionada ao lado do membro mais curto e compressão do disco intervertebral no lado da concavidade.

Esta característica biomecânica alterada favorece a protusão discal e pinçamento da raiz nervosa. Quanto maior a discrepância de comprimento dos membros inferiores, maior é o grau de escoliose.

Além disso, a convexidade lombar produz um padrão de assimetria da atividade muscular em paravertebrais, tensor da fáscia lata e ísquios-tibiais, sendo a maior atividade ipsilateral ao membro mais comprido, e consequentemente, à concavidade do desvio gerado.

A indicação de correção da discrepância de comprimento dos membros inferiores é determinada a partir da magnitude da assimetria diagnosticada pela mensuração da distância da espinha ilíaca ântero-superior ao maléolo medial ou por meio de um exame de imagem denominado por escanometria.

Outros autores dizem que a discrepância maior ou igual a 6,4 mm é caracterizada como significativa, e outros relatam que a correção de discrepância menor ou igual a 4 mm só necessita de correção em casos sintomáticos. No entanto, é de extrema necessidade uma avaliação com um fisioterapeuta especialista junto ao bike fit para melhor análise e adaptação corretiva.

6- Déficit de flexibilidade

E por último, vamos falar do déficit de flexibilidade, um dos grandes vilões de ciclistas e corredores, pois a maioria não sabe a real importância para tal. Define-se por flexibilidade a habilidade que uma articulação tem de alcançar toda a amplitude de movimento preestabelecida anatomicamente.

As estruturas que podem limitar a amplitude de movimento são as estruturas ósseas adjacentes à articulação, aos ligamentos, à cápsula articular e aos músculos.

A causa mais comum de déficit de flexibilidade é o encurtamento muscular, alteração musculotendínea, que pode ser revertida com a realização de alongamento muscular.

O ciclismo é um esporte de movimentos repetitivos e sustentados por longos períodos. Esta característica do esporte associada à amplitude de movimento articular, que não permite os músculos biarticulares retomarem o comprimento muscular típico da posição anatômica somada à negligência da prática de alongamento por parte dos ciclistas, favorece o encurtamento de músculos biarticulares.

No entanto, o encurtamento muscular contribui ainda com a alteração postural, como por exemplo, a anteroversão ou retroversão pélvica. Se uma articulação não apresenta amplitude de movimento satisfatória para a postura a ser adotada, outros segmentos corporais serão forçados a aumentar a amplitude de movimento como um mecanismo compensatório, aumentando, consequentemente, a tensão da estrutura musculoesquelética envolvida, gerando lombalgia e demais compensações.

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Por: Karolinne Zinato