Início » Dicas Gerais » Bikepacking: Introdução e conceito

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16 de março de 2019

Segredos do Mountain Bike

Para você que acompanha o Segredos do MTB e sonha em fazer viagens de bike, ou até já fez, temos uma ótima notícia: a partir de agora, iremos contar com a colaboração do mestre Guilherme Cavallari!

No primeiro artigo ele explica alguns conceitos e faz uma introdução sobre este estilo de mountain bike!

texto e imagens: Guilherme Cavallari

 

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Guilherme Cavallari em treinamento de bikepacking na Serra da Mantiqueira… No guidão está todo o equipo de acampamento e roupas extras, no selim tudo de ferramentas e material sobressalente para a bike, nas costas toda a cozinha, comida e água para 3 dias.

BIKEPACKING pode ser definido simplesmente como “viajar e acampar de bicicleta”. Essa inclusive é a definição encontrada em livros técnicos publicados sobre o assunto ainda na década de 1990. Ou seja, BIKEPACKING não é nenhuma novidade. Mas como a evolução tecnológica não para, o BIKEPACKING também evoluiu e, hoje, seria melhor definido como cicloturismo de aventura” ou ainda “a união do mountain bike com as técnicas e equipamento de trekking ultraleve”. Em outras palavras, BIKEPACKING é usar a bicicleta como meio de transporte para qualquer tipo de aventura, em qualquer terreno, em qualquer clima.

Por ter uma definição tão simples, mesmo sem saber, muita gente (inclusive eu) vinha praticando esse estilo ultraleve de viajar em bicicleta há muitos anos (eu há pelo menos 20 anos) sem saber que tinha esse nome chique. No entanto, para entender melhor o conceito é preciso entender também os elementos que compõem o BIKEPACKING: o trekking ultraleve e o “melhor” do mountain bike.

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Sergio Carvalho no treinamento Bikepacking de Guilherme Cavallari, com acampamento completo e autossuficiente para 3 dias de viagem.

 

TREKKING ULTRALEVE

Trekking ultraleve, (do inglês Ultralight Trekking) é por sua vez a composição de dois conceitos básicos. Primeiro, trekking é uma caminhada em contato com a natureza. Só isso. Não precisa ser longa, não precisa ser difícil, mas tem que ser em contato com a natureza o mais preservada possível.

Talvez a primeira grande diferença conceitual entre o trekking convencional e o trekking ultraleve está na proposta de autonomia e na autossuficiência. Enquanto é possível fazer trekking convencional com ajuda de veículos de apoio, carregadores humanos ou animais, dormir em pousadas ou albergues, comer em restaurantes e afins, no trekking ultraleve a proposta é ser 100% autossuficiente.

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Em primeiro plano, saco de bivaque, isolante térmico e saco de dormir para -10º C de Guilherme Cavallari. Todo o acampamento pesa menos de 1,8 kg e tem volume mínimo.

Outra importante diferença está na equação conforto x eficiência. Alguns autores norte-americanos brincam dizendo que “quem gosta de acampar pratica trekking, quem gosta de caminhar faz trekking ultraleve”. Outros autores, também norte-americanos porque é nos Estados Unidos que o trekking ultraleve é mais praticado, associam o trekking ultraleve com as “técnicas utilizadas por povos originais em seus deslocamentos, associadas ao melhor da tecnologia moderna” — ou seja, o mais simples possível com o melhor equipamento disponível.

 

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Na falta de bolsas apropriadas (assunto para um próximo post) um saco estaque atado ao guidão cumpre perfeitamente o papel de uma “bolsa de guidão” em estilo bikepacking.

Em outras palavras, se o sujeito levar uma barraca espaçosa, travesseiro inflável, diversas panelas e utensílios de cozinha, aquela cafeteira italiana e um bom livro para ler, essas amenidades farão do acampamento um paraíso, mas caminhar com todo esse peso nas costas será um inferno. Se o mesmo sujeito optar, por exemplo, por dormir numa rede leve e compacta, sem barraca, levar a comida exata e na forma mais leve e compacta possível, não carregar absolutamente nada supérfluo, sua mochila vai ficar tão leve que ele vai conseguir percorrer muito mais terreno, muito mais rápido, com muito menos desgaste físico. Isso é trekking ultraleve.

 

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Outra possibilidade de acampamento ultraleve, com toldo, isolante térmico e saco de dormir. Nessa versão, o conjunto pesa menos de 1,7 kg e tem volume mínimo.

Conforme a tecnologia aplicada ao trekking evolui — na forma de tecidos mais leves e inteligentes, calçados mais leves e eficientes, proteção térmica mais leve e eficaz, comunicação mais rápida e mais disponível, boa previsão climática, etc. — novas possibilidades de praticar trekking aparecem. O trekking ultraleve faz uso de toda essa tecnologia para repensar e recriar itens básicos de trekking como barracas, sacos de dormir e mochilas, para citar apenas alguns exemplos.

Em futuros artigos vamos discorrer em detalhes sobre:

  • Equipamento completo para trekking ultraleve e bikepacking
  • Transporte de bagagem em bikepacking
  • Roteiros de bikepacking
  • Possibilidades de atividades multi-esportivas a partir do bikepacking

 

O “MELHOR” DO MOUNTAIN BIKE

 

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Duas mountain bikes competitivas, de cross country, prontas para viajar em estilo bikepacking.

Alguns autores norte-americanos especializados em bikepacking costumam dizer que “a bicicleta ideal para bikepacking é aquela que você já tem”. Mas eu não concordo plenamente com essa definição. Acho que essa afirmação pode ser adequada para a realidade norte-americana, onde uma boa bicicleta é relativamente barata e acessível ao poder de consumo local. Diferente da realidade socioeconômica brasileira, onde o simples fato do cidadão ter uma bicicleta para lazer ou esporte, já é um diferencial de classe. A frota nacional de bicicletas no Brasil, em sua maior parte, é composta por bicicletas inadequadas para o mountain bike.

A bike ideal para bikepacking é uma mountain bike que permita ao ciclista pedalar em qualquer terreno, um equipamento que aumente seu desempenho físico e sua competência técnica.

 

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Guilherme Cavallari em treinamento de bikepacking em Gonçalves (MG), na Serra da Mantiqueira.

No livro MANUAL DE MOUNTAIN BIKE & CICLOTURISMO, de minha autoria e referência no mercado nacional, discorro com mais propriedade sobre as características de uma suposta “bike ideal”. Resumidamente, se o ciclista já faz trilha de mountain bike não precisa de outra bicicleta para fazer bikepacking — e é isso o que os autores norte-americanos querem dizer quando afirmar “que bicicleta ideal para bikepacking é aquela que você já tem”.

 

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Uma pontezinha instável sobre um riacho pode ser um obstáculo complicado para uma bicicleta supercarregada, mas no estilo bikepacking tudo fica mais fácil.

Assim, a bike ideal para bikepacking é uma bike de trilha, uma mountain bike. Os principais pontos a serem observados são: 1)tamanho e geometria do quadro compatíveis com o ciclista e o terreno proposto; 2) a melhor relação de marchas possível, com as marchas mais leves disponíveis no mercado, novamente compatíveis com o ciclista e com o peso de bagagem que ele vai transportar pelas trilhas; 3) não importa muito o tamanho da roda (26, 27,5 ou 29 polegadas), com exceção de viagens internacionais para países onde a disponibilidade de peças possa gerar problemas, como em viagens de volta ao mundo a afins; 4) versatilidade, assim mountain bikes de uso específico, como bikes de downhill ou semelhante, bikes de competição delicadas demais, bikes de uso misto urbano e trilha, híbridas, não são as mais apropriadas para o bikepacking5) tecnologia de eficiência no lugar de tecnologia de conforto, numa proposta alinhada com o conceito de trekking ultraleve, onde às vezes freios a disco mecânicos (a cabo) pode ser melhores que freios a disco hidráulicos, onde uma bike sem suspensão alguma com pneus mais grossos pode funcionar melhor do que uma full-suspension competitiva (suspensão nas duas rodas) ou o contrário, onde uma full-suspension é essencial para o terreno em questão e freios a disco hidráulicos são fundamentais para garantir segurança; 6)autossuficiência, que é um conceito fundamental tanto no trekking ultraleve quanto no bikepacking, assim quanto menos componentes eletro-eletrônicos a bike tiver, melhor; quanto menos possibilidades de panes mecânicas em componentes complicados, melhor; quanto mais simples for a manutenção preventiva ou corretiva, melhor; quantos mais habilidades o ciclista possuir, em vez de mais equipamento, melhor.

 

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Grupo em treinamento de Bikepacking, liderado por Guilherme Cavallari, no Refúgio Kalapalo, em Gonçalves (MG), na Serra da Mantqueira

Em artigos futuros vamos discorrer sobre:

  • Possibilidades de geometria para uma bicicleta de bikepacking
  • Possibilidades de componentes para uma bicicleta de bikepacking
  • Possibilidades de acessórios para uma bicicleta de bikepacking
  • Exemplos de bicicletas para bikepacking

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CHRISTIAN DRUMOND

Cardiologista, Pós graduado em Medicina do Esporte, Coach, Ciclista “Old School”, Apaixonado por MTB, e Fundador do Segredos do Mountain Bike.

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