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05/06/2018

Christian

Como não treinar para uma prova de MTB

Treinar para uma prova de ciclismo de estrada ou mountain bike, quando o intuito é melhorar resultados, nem sempre é uma tarefa das mais fáceis, requer disciplina, foco e muita dedicação.
Este texto pretende ser um breve relato de situações que são muito convenientes para o treinamento e algumas situações que podem acontecer na vida do atleta amador que podem ajudar mas também prejudicar e muito a performance que se pretende alcançar.

A prova

Sou atleta amador do interior de São Paulo (São Carlos) e, no interior paulista, acontecem durante o ano, diversas provas que eu considero como degraus de preparação para as grandes provas do MTB nacional, como o Festival Brasil Ride Botucatu (Warm Up), Brasil Ride (Arraial D’ajuda), GP Ravelli, Copa Internacional, entre outros.
É uma preparação de baixo custo, já que a inscrição para as provas varia entre 50 e 80 reais, então dá para montar um calendário bem farto focando na preparação.
As provas escolhidas por mim foram da Copa Soul de Mountain Bike SP, um calendário pequeno de provas de maratona (XCM) extremamente rápidas, que envolvem poucos trechos técnicos, subidas longas mas de nem tanta inclinação, bastante estradão e areia.
São apenas 4 etapas, nas cidades de Araraquara, Catanduva, Bauru e Sertãozinho. A etapa de Araraquara já foi realizada. Este relato é sobre a preparação para a segunda etapa, em Catanduva.
A primeira etapa em Araraquara foi minha estreia em provas de XCM e não tinha muita noção de como o meu corpo reagiria a uma prova de pouco mais de 50 km com altimetria relativamente baixa (cerca de 700m acumulados).
Fiz uma preparação despreocupada pois seria conservador na prova, não chegando ao meu limite, queria conhecer adversários, terreno, clima, situações que seriam muito similares nas etapas seguintes.
Acho que dá pra imaginar que foi quase um passeio daqueles de fim de semana, mas não. Na hora da prova o sangue ferve e por alguns momentos, você vai para o tudo ou nada, e fui, mas não estava preparado pra isso.
No meio da prova, sofri com o calor e mesmo me hidratando e com o consumo planejado de gel tive meus 15 minutos de achar que poderia desistir, pois de cara me enfiei na categoria pró. Poderia ter ido na sport que era mais leve, mas lembrei da história da vida esportiva do Henrique Avancini, que se inscrevia na elite mesmo ainda não tendo mesmo nível, para balizar seu treinamento.
Em resumo, foi um desastre, cheguei na posição 22 de 23 na categoria mas tomei como lição para a próxima etapa.

Treinamento e Alimentação

Para tentar melhorar pelo menos 10 posições na etapa seguinte da Copa Soul, que seria realizada no último dia 03-06 na cidade de Catanduva, resolvi me jogar nos treinos de forma séria e consistente.
Separei os treinos em intensidade, volume e recuperação, podendo variar de 3 a 5 vezes por semana, porém usei esse método de planilha de um jeito bem informal. Bom, sou atleta amador e apesar do foco em resultado, tenho família, trabalho, enfim, uma vida fora do esporte também, mas tentei fazer da forma mais consistente possível.
Academia não é meu forte, então todo tempo que tenho para treinar, prefiro a bike, sei que não é ideal mas quero fazer com que funcione da melhor maneira possível.
Das coisas que posso controlar, também tem a alimentação. Tenho acompanhamento nutricional desde que entrei para um programa de treinamento respiratório do departamento de fisioterapia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR) que selecionou candidatos que praticassem ciclismo (de estrada, mtb, etc) de forma regular competitiva.
Enfim, sigo uma tabela nutricional bem específica, uma vez que minha alimentação é completamente livre de produtos de origem animal, não que seja uma regra inviolável mas procuro seguir de forma saudável em todos os aspectos (sim, dá pra ser não saudável sendo vegano).

A pausa (não) prevista

Eis que no meio desse treinamento surgem as férias familiares e uma viagem que não estava programada.
Eu adoro viajar tanto quanto adoro estar em cima da bike treinando e o dilema foi grande, pois seriam 15 dias longe da bike bem na fase intermediária para a final do treinamento.
Quem treina por planilhas sabe que é por ela onde começam os famosos treinos de tiro, variação de estímulo, treino em subidas íngremes, tudo para melhorar a performance, tanto aeróbica quanto anaeróbica.
Antes da pausa, eu estava me sentindo em uma condição física fantástica, embora relativamente pesado, deixa ver se consigo explicar de maneira rápida: há dois anos eu pesava cerca de 140kg, cheio de problemas de saúde (lembra do vegano não saudável?) e depois de sofrer um acidente, precisei de uma cirurgia de reconstrução dos ligamentos do joelho esquerdo. Após uma longa recuperação comecei a pedalar e lá se foram 40kg.
Bom, voltando a forma física, estava me sentindo muito bem. Considero-me muito eficiente para meu peso, embora saiba que o caminho até o topo é longo e árduo mas, bola pra frente.
Durante essa pausa, eu tinha consciência de que tanto meu peso quanto minha preparação física poderiam ser afetados. Mesmo assim, para ser o menos pior, considerei comer um pouco menos do que de costume, uma vez que as opções em lugares turísticos não são as mais saudáveis.
Como estava na praia, incluí um treinamento livre de corrida uma vez a cada dois dias, tudo sem pressão, apenas para não prejudicar tanto todo trabalho que já vinha fazendo há pelo menos um mês e meio antes da pausa.

A recuperação da forma

Praia é muito bom, calor, sol, cervejinha (pra quem gosta) acompanhando porções a beira-mar, mas uma hora tem que voltar pra casa e lidar com a realidade.
Toda quarta feira aqui na cidade, acontece o famoso rachão (ciclismo de estrada), na última quarta do mês tem o rachão premiado, é um campeonato amador, organizado pelos próprios ciclistas com o intuito de unir as pessoas e divulgar o esporte.
Voltei para casa praticamente na véspera de uma das etapas e sabia que seria um balizador do meu estado físico, uma vez que houve ganho de peso (pelo menos 3 kg) durante os 15 dias da pausa e tudo isso há uma semana da prova para a qual eu vinha treinando.
Antes das férias, meus resultados nos rachões era algo incrível para mim. Mesmo correndo com pessoas de elite, conseguia terminar junto com o pelotão, não no sprint; é difícil concorrer com esses caras, mas conseguir por alguns momentos, dentro de uma hora, revezar na ponta do pelotão é uma vitória.
Tive um grande retrocesso em função do tempo fora da bike. Dentro do circuito de aproximadamente 5km, cheguei a tomar uma volta do pelotão.
Aí bate o desespero de não conseguir ter um resultado bacana na prova, que é o foco do treinamento, mesmo tendo voltado aos treinos de forma consistente, o tempo de recuperação seria muito pequeno, seria muito difícil fazer uma boa prova.

Resultados

Dizem que há males que vem para o bem, pode acreditar. Em função das paralisações de caminhoneiros, a organização da prova resolveu adiá-la e ainda não definiu nova data, mas eu não parei, intensifiquei de forma gradual os treinos.
Estou recuperando a forma que estava antes das férias, diria que até melhorando, porque dos 3 kg que ganhei, já perdi 5kg. O treino de corrida na areia deu-me mais força nas pernas e isso está me ajudando nas subidas, que era um ponto fraco. Falta eu conseguir chegar junto ao pelotão no rachão e quem sabe, no sprint.
E por fim, falta a prova pela qual estou ainda me preparando, mas logo remarcam e vou pôr todas essas lições à prova.
Até breve com mais relatos.
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Por: Mauricio Xavier

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CHRISTIAN DRUMOND

Cardiologista, Pós graduado em Medicina do Esporte, Coach, Ciclista “Old School”, Apaixonado por MTB, e Fundador do Segredos do Mountain Bike.

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