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29 de Maio de 2018

Segredos do Mountain Bike

SMTB na UltraBrou: Ultramaratone-se.
Após os quatro dias da UltraBrou, uma experiência épica na Serra da Canastra, eu decidi compartilhar com você a minha experiência sobre como foi o evento. Desde que voltei a pedalar, em 2007, eu tenho um sonho. Ou melhor: tinha, pois acabei de concluir a minha primeira ultramaratona de mountain bike. Provas de pedais de longas distâncias sempre foram o meu forte, desde a época que era um ciclista de estrada, indo bem em provas longas como um “Intercity” de mais de 100Km entre Itabirito a Santa Bárbara – MG em 1994, uma época que ainda não existia nenhuma prova dentre as conhecidas de hoje. Voltei  a pedalar em 2007 e, desde o surgimento da primeira ultramaratona no Brasil, eu ora não tinha dupla, ora não tinha treino ou agenda, mas como o sonho nunca acaba, veio a ultramaratona do fantástico Brou Bruto. Após participar do primeiro desafio Brou em Ouro Preto, após conversar com ele em nossa entrevista, eu tive a certeza de que não poderia perder esta prova. Pedalar na Serra da Canastra era um sonho antigo, guiado por mestres do MTB, como o Felipe Miranda, meu eterno treinador da OCE. Confesso que senti insegurança, medo dos 4 dias de prova, de dormir na barraca, uso de banheiros e um monte de coisa que meus sabotadores insistiam em querer “roubar a minha onda”. Talvez você mesmo tenha estes pensamentos ao pensar em ultramaratona de Mountain Bike. Um texto com este título, de fato tem a missão de provar que uma ultramaratona é algo executável para qualquer um, como eu disse no vídeo oficial do SMTB na Ultrabrou 2018. Vamos logo dar a largada pois temos quatro etapas e algumas dicas e orientações para você que vão além do vídeo. Vou dividir o texto pelas etapas, combinado?

Etapa Pré-UltraBrou:

Certamente deu frio na barriga! Desloquei-me cedo na terça-feira para percorrer uma linda viagem de João Monlevade a São João Batista do Glória, lugarejo acolhedor que fica bem perto da entrada da Serra Da Canastra, pois os kits foram distribuídos na manhã do prólogo. Trecho que viajei entre a minha cidade João Monlevade e a Serra do Canastra, local da prova.

Trecho entra a cidade em que resido, João Monlevade e o local da prova, a Serra da Canastra.

Acordei cedo na quarta-feira para finalizar as pendências do trabalho e mergulhar em uma imersão de quatro dias de mountain bike. Eu estava eufórico! Tomei o café da manhã bem cedo e acabei a gestão de tarefas no Trello, em um grau de inspiração diferente! Por um lado eu tinha horas para fazer aquilo, diferente da vida normal. Por outro lado, A sensação de gratidão era muito intensa e me fez produzir acima da média. No meio da manhã parti, louco para pegar o meu kit, colocar o número na bike e largar pontualmente às 14h. A quase trinta quilômetros da “civilização” estava a pousada Vale dos Canteiros, um lugar aconchegante e com uma receptividade acima da média. O que vimos nas instalações da pousada foi surreal. Não existiu banheiro sujo, nem cheio, com fila. Apenas uma vez eu esperei a pessoa em uso no banho e já entrei. Assim fomos atendidos com um surpreendente sorriso e brilho no olho constante de todos envolvidos no evento. Sem contar as refeições, num típico fogão de lenha mineiro, com direito a pão de queijo feito na hora.

Primeira etapa: Prólogo

Meu pensamento na largada do prólogo era o seguinte: serei conservador nas subidas e nas descidas. Cumpri a meta e finalizei o contra-relógio na segunda colocação. Eis que a diversão começou a acabar… O bichinho da competitividade chegou a me falar: uma boa buscar amanhã. Dá pra curtir e quem sabe, por que não tentar? Como havia dito, decidi não abrir mão de curtir visuais, mas não ficaria parando pra tirar foto, gravar vídeo maluco e fazer stories. Mal sabia que já havia cedido. Atleta Christian Drumond na UltraBrou
Desafios da UltraBrou.

Segunda etapa: #PraCima Sem fingimento

A segunda etapa prometia ainda mais emoção que a primeira, inclusive o “downhill” mais temido e a maior altimetria da ultra. Larguei sem conseguir manter o contato visual com o líder, que escapou em uma subida de rochas. O cara era muito técnico. Estava ali um casca grossa do MTB, um roots. Decidi manter o meu ritmo e controlar a intensidade. Deu certo! No platô da montanha, fui me aproximando rapidamente do “yellow jersei” e passei atacando. Fiz o resto da prova sem o ver novamente e, dentro das possibilidades, abrir o máximo possível. Desci o downhill ileso e implantei o passo nos planos até cruzar a linha de chegada, a 15 minutos do meu adversário. Terminei exausto e com a vantagem de estar à frente na etapa rainha. Descida na UltraBrou com Christian Drumond
Uma das descidas da UltraBrou 

Terceira etapa: O arco do triunfo

O que vou abrir aqui é a exata estratégia que usei, coisa que ninguém conta por aí, concorda?   Decidi usar a vantagem de largar forte com o pelotão dos líderes para colocar o perseguidor para fazer força e subir a grande escalada do dia sem forçar. Deu certo! Acabei esperando encontrá-lo para marcá-lo e desta forma poderia me preservar ou até atacá-lo. Quem sabe? Ou seria melhor curtir o visual? Neste exato momento, acabava de perder um visual, uma maravilha, nada menos que a casca D`anta, momento que me encaixei numa fuga e comecei a abrir, perdendo de vista o oponente, que nesta altura já era um amigo. Coisa da master. Fui me aproximando da chegada, certo da vitória, após um duro single track que saí sem ver qualquer ser humano atrás de mim, juro! Foi aí que afrouxei o pé e, cansado, obviamente, desci uma vertente sem pedalar. Suficiente para animar o “amigo”, que veio babando e me passou, ainda distraído, a menos de 100 metros da chegada. Tomei poucos segundos, uma gozeira e perdi o “premio de rico” do líder, um polar. Juro que tentei me motivar pela manutenção da liderança, mas perder na linha de chegada, dando ao adversário a chance de acreditar que te alcançou “abatido na linha de chegada” é algo que não deixa ciclista nenhum orgulhoso. Comigo também foi assim. Ainda mais que o “figuraça” intimou-me para a última etapa, dizendo que era mais técnica. Ele estava muito afim e muito forte mentalmente. Ele lutaria até o fim. Foi interessante ver e perceber como consegui curtir o jogo da disputa, mantendo-me forte mentalmente, apesar de estar enferrujado neste tipo de coisa. Neste dia, aprendi um segredo do mountain bike, na voz do Brou:  “o sujeito só para de fazer força se lateralizar ou na hora que passa pelo arco do triunfo”!  Brudimais! Christian na Ultra Brou
O desafio era muito mais que os outros competidores.
Na ultima etapa, eu deveria sair marcando até o fim e garantir a geral, ou não? E aí? No dia anterior eu ganhei um Spot. Mais um sonho se concretizou. A gratidão gera este tipo de coisa. Na última etapa também teria um grande prêmio.

Ultima etapa: A dor é para os vivos

Decidi fazer a minha prova e foi incrível. Saí forte, conseguindo durar por 11 km com os “capapreta”, no pelotão da ponta. Muito disso graças ao Brou, que me deu forças e mais forças para isto, pedalando, incentivando com um nível de energia diferenciado. Brou dando força para o Christian na UltraBrou.
Apoio importantíssimo que recebi do Brou.
Abri bastante para ter conforto de administrar a prova em caso de imprevisto, inclusive das pernas. Após o ponto de apoio, a garrafa cheia caiu, fazendo eu perder um tempão para andar na contramão de um single track para buscá-la. Após a primeira e longuíssima, fantástica e técnica descida, fui alcançado por um adversário focado, que impôs o ritmo em um longo trecho técnico. Sofri, mas não descolei. Percebi que eu o enfraqueci mentalmente. Ele pediu para que eu passasse para frente, então eu disse que só ficaria na roda dele, marcando. Ele aceitou bem, já escolado da vida MTB. Arrastei-me atrás dele até o lendário “Buraco da Nega”, um trecho dos mais técnicos da prova,  que teria também a escada que descemos no prólogo (algo surreal). Resisti até a penúltima subida do dia e, na descida, meu corpo não reagia bem e comecei a errar ao descer com ele. Era a primeira vez que me senti arriscando. Optei por ser conservador e descer na minha zona de segurança. Só que isto me gerou quase dois minutos na próxima descida e, rapidamente, consegui contar quase três minutos em um curto trecho técnico. O que eu tinha a meu favor era que o fim da prova seria (pela primeira vez) em uma descida longa de quase quatro quilômetros. Um prêmio pelos quatro dias. Fiz força exaustivamente até o centímetro final da prova. Sem dúvidas, foi o dia que mais me esforcei sobre uma bike desde 1994. Cheguei com 4 minutos de atraso de um Master Biker, o Steffano que valorizou e muito, muito mesmo, a minha consagração como campeão da UltraBrou- Master. Algo inacreditável e brutalmente real que acabara de acontecer. Cravar meu nome na galeria de campeões desta prova, que será uma das mais badaladas do Brasil, é épico! Não me lembro de muitas paisagens da última etapa, mas valeu cada minuto focado no objetivo. Acredito que consegui extrair um bom equilíbrio entre “passar a visão” e fazer o que tinha que ser feito. Certamente a vitória só foi possível  graças a estes fatores:
  • Sentimento de gratidão por estar ali. É bizarro, mas quando você conta isso pra sua cabeça, seu corpo reage diferente;
  • Brutalidade aflorada. Verdade que desde que subi no pódio, aconteceu. Foi ótimo. Reencontrei-me e reaprendi muito sobre mim mesmo, como atleta competidor;
  • Vontade de testar novos limites físicos e mentais, aplicando em mim coisas que estudo;
  • Percurso: O percurso merecia o meu melhor MTB, pois me senti muito feliz ao percorrer lugares indescritíveis, que você até pode saber como é, indo na Ultrabrou 2019;
  • Acreditar: esta é a mais poderosa estratégia de treino, logo, treine mais acreditar em si mesmo. Posso apostar que o benefício será tão grande quanto o do treinamento físico;
  • Minha família que me inspira a dar o melhor de mim, sempre. Especialmente minha esposa que me apoia e toma conta dos filhos quanto eu me divirto.

Pós-UltraBrou

A sensação de ter completado a Ultramaratona UltraBrou foi fantástica. Completar a jornada sem problemas mecânicos maiores, sem quedas e ainda como campeão foi fantástico. Campeão do Ultra Brou 2018.
Felicidade estampada no rosto de ser campeão deste evento fantástico. 
EU acredito que todo biker que pedala regularmente é capaz de completar uma ultramaratona. O calendário de provas está ficando cada dia mais recheado de provas e é uma tentação não “ir em todas”, porém, focar em provas que lhe ofereçam experiências mais completas, me parece ser o caminho. A UltraBrou 2019 oferece todo este contexto. Você não pode ficar de fora! Dedique-se a este objetivo e faça acontecer! Tenho certeza que você será levado a um outro nível de experiência de vida, aliada ao esporte que mais amamos, o mountain bike. Acompanhe o nosso conteúdo para saber mais sobre treinos e sobre como se preparar para uma ultra aventura. A UltraBrou 2019 já tem data: 01 à 04 de maio de 2019, emendando um feriado nacional, ou seja, mais facilidade para você compartilhar comigo uma nova experiência ano que vem. Nos vemos por lá, na UltraBrou Serra da Canastra 2019. Podio competição do UltraBrou.
Pódio final UltraBrou 2018.
Forte abraço. Se você tem interesse que o SMTB faça a cobertura da sua prova de MTB, entre em contato pelo e-mail: [email protected] para saber maiores informações.

Por: Christian Drumond

 

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CHRISTIAN DRUMOND

Cardiologista, Pós graduado em Medicina do Esporte, Coach, Ciclista “Old School”, Apaixonado por MTB, e Fundador do Segredos do Mountain Bike.

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